Página:Verso e proza (Vicente de Carvalho, 1909).pdf/67

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Chegando ao porto do Buracão, no canal da Bertioga, a canôa parou, encostada ao barranco. Serafim ergueu o amolaxado bahú de folha, pol-o em terra. Em pé, na borda, com a mão esquerda apoiada no chão, a direita agarrada a uma touca de capim, balanceou corpo, firmou o pulo, saltou.

— Adeus, todos! disse, dirigindo-se ao patrão e aos remeiros.

— Até um dia, sargento! responderam.

A embarcação largou, os pesados remos de voga bateram nagua. Ficando só, na solidão daquela furna apertada entre morros e apenas aberta para o canal, Serafim relanceou em torno um olhar pensativo. O terreno descia, ondulando levemente, até achatar-se de todo em estreito brejo, que una gamboa cortava. Num velho rancho, cujo tecto de palha se apoiava sobre estacas empoladas de craca e fincadas na lamba da gamboa, tres ou quatro canôas descansavam em secco sobre estivas de jissara. Destacando-se da confusa vegetação baixa, quasi anonima