Página:Yayá Garcia.djvu/169

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Na secretária, ao pé deste, havia um maço de coisas que serviam, um maço pequeno; a grande maioria era a dos destroços inúteis. Não é isso mesmo a imagem do passado? Luís Garcia desdobrava às vezes um jornal, avaramente guardado havia anos; duas cruzes ou alguns traços indicavam o trecho que nesse tempo lhe chamara a atenção. Relia-o agora; buscava o motivo da reserva e sorria. A impressão que comunicara algum interesse ao escrito desaparecera de todo; o escrito era um esqueleto. Também as cartas eram assim. Raras escapavam à destruição; as mais delas eram dilaceradas, umas em dois pedaços, — as ínfimas, — outras, em trinta, as que podiam ter alguma gravidade. Estela, que o ajudava pegou casualmente em uma carta, cuja letra do sobrescrito lhe não pareceu estranha.

— Eu conheço esta letra, disse ela.

— Deixa ver.

Estela deu-lhe a carta.

— É do Dr. Jorge, disse o marido.