Página:Yayá Garcia.djvu/220

Wikisource, a biblioteca livre
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa


deu-me o cargo de confidente e não de conselheiro; limito-me ouvi-la. Verdade é que o tal cargo até agora parece simples sinecura.

— Que é sinecura?

Jorge sorriu e definiu-lhe a palavra.

— Não é sinecura, acudiu Iaiá; pelo contrário, é um cargo muito espinhoso.

— Não creio. A confidência única até hoje não me pareceu sincera. A senhora não ama o Procópio Dias.

Iaiá franziu a testa.

— Por que me diz isso?

— Porque, se o amasse, falaria de outro modo, e sobretudo não falaria tanto. O amor, nessa idade, vive de reticências, não de frases e menos ainda de frases tão compostas.

— Cale-se! interrompeu ela batendo-lhe com a gramática na ponta dos dedos. E depois de uma pausa: — Se ele lhe escrever, mostra-me a carta?

Como Jorge lhe dissesse que sim, Iaiá fez um movimento para rasgar o volume em dois pedaços. Jorge perguntou-lhe o que tinha. — Nervoso! respondeu a moça sacudindo os ombros com um calafrio. Depois como a amparar-se, lançou-lhe a mão a um dos pulsos. Jorge sentiu a pressão de