Página:Yayá Garcia.djvu/310

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ainda do que o corpo, que não podendo suster-se, procurou amparar-se no móvel que achou mais próximo. A dúvida, que já antes atravessara o espírito da moça, começou a invadi-lo. Iaiá fitou Estela com o mais agudo de seus olhares, acompanhou-a de um lado para outro, porque a madrasta, logo depois das palavras que lhe disse, entrara a andar e a refletir. Se a viúva era sincera, Iaiá acabava de fazer gratuitamente sua própria desgraça; foi o que a moça pensou. No atordoamento moral em que esta hipótese a lançou, Iaiá achou-se entre dois desejos mal definidos, mas inteiramente opostos um ao outro. Quisera e não quisera ter-se enganado; aspirava a conciliar o coração e a consciência. Seu espírito evocou a hora inicial da suspeita, — aquela funesta manhã, em que a carta de Jorge foi lida por Estela; recordou o gesto da madrasta, o tremor, a lividez, os vivos sintomas da consternação, do medo ou do remorso. Seria engano aquilo? não era evidente que eles se haviam amado, que se amavam ainda naquela ocasião? E, dada a afirmativa, era caso impossível que Estela, ao menos, o amasse ainda hoje?

Iaiá ateve-se a esta conclusão, embora confirmasse a ruína