Página:Yayá Garcia.djvu/88

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está a caminho, há de fazer-se, não lhe digo mais nada.

E bateu-lhe no ombro, com um gesto que tanto podia dizer: "sossegue, capitão", como: "parabéns, senhor major". Jorge entendeu esse trocadilho, e apertou as mãos do coronel, agradecendo-lhe, não o posto que lhe anunciava, mas a afeição que lhe tinha. O coronel encarou-o paternalmente alguns minutos.

— Subir! Não sonham com outra coisa, rosnava ele consigo.

E saiu.

Jorge ficou só, acendeu um cigarro, que não pôde fumar até o fim. Depois sentou-se, desabotoou a farda, tirou uma carta, abriu-a e releu algumas linhas do fim. A carta era de Luís Garcia. Dava-lhe notícias de sua mãe, que, por motivos de doença, fora tomar águas a Minas, e rematava com estas palavras assombrosas:

"...Resta-me dizer-lhe, se em alguma coisa lhe pode interessar minha vida, que sábado passado contraí segundas núpcias. Minha mulher é a filha do Sr. Antunes. Sua mãe serviu-nos de madrinha."

Com os olhos fitos nessas poucas linhas, Jorge parecia alheio a tudo mais. O papel, recebido