Pacto das Almas (I)

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Pacto das Almas (I)
por Cruz e Sousa
Poema agrupado posteriormente e publicado em Últimos Sonetos


(A Nestor Vítor Por Devotamento e Admiração. Cruz e Sousa. 12/10/1897)

Para Sempre!

Ah! para sempre! para sempre! Agora
Não nos separaremos nem um dia...
Nunca mais, nunca mais, nesta harmonia
Das nossas almas de divina aurora.

A voz do céu pode vibrar sonora
Ou do Inferno a sinistra sinfonia,
Que num fundo de astral melancolia
Minh'alma com a tu'alma goza e chora.

Para sempre está feito o augusto pacto!
Cegos serenos do celeste tacto,
Do Sonho envoltas na estrelada rede.

E perdidas, perdidas no Infinito
As nossas almas, no Clarão bendito,
Hão de enfim saciar toda esta sede...