Paladinos

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Paladinos
por António Feijó


A Senhora Condessa d'Arnoso

I

CONDE D'ARNOSO, JOÃO

Como um dos seus avós, em justas e em torneios
— Paes d'Abranches, que foi dos Doze d'Inglaterra--
Com uma ancia de gloria, em altos devaneios,
Corre o mundo, de mar em mar, de terra em terra.

Não leva escudo, o moço illustre, nem couraça,
Que o tempo é vil; mas como arnez de paladino,
Leva a honra e o valor de toda a sua raça,
— Grande exemplo a apontar-lhe o mais nobre destino!

Mão na espada, a entrever combates, a alma pura,
Já bello, d'essa estranha e amarga formosura
Que o fim proximo imprime aos vencidos da Sorte,

Vae na tolda a sonhar,--sonho feito em pedaços!
— Paes d'Abranches voltou com a noiva nos braços,
Elle... voltou tambem, mas nos braços da Morte!

II

CONDE D'ARNOSO, BERNARDO

Este nunca buscou, na lucta ingloria,--fama
Ou proveito. A Ambição, mesmo a mais alta e pura,
Nunca o cegou. Jamais uma ephemera chamma
De orgulho vão tremeu na sua nobre figura!

Foi cortesão; mas da Honra e do Dever escravo.
Nunca esgar de lisonja o seu lábio manchou;
E entre vis defecções, elle só, como um bravo,
Luctou, soffreu, mas nunca o Mestre renegou!

Alma de Campeador! Num disfarce mundano,
Nunca ninguem sonhou coração mais humano,
Mais terno, e ao mesmo tempo, altivo coração!

Ultimo Cavalleiro, á hora em que morria,
No Pantheon Real, da lampada que ardia
Extinguiu-se de todo o ultimo clarão...