Passeio matinal

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Passeio matinal
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Como és formosa em frente da alvorada
Trepando as altas serras pedregosas:
Tu tens a idade dela, e estás coroada,
Como ela está, de lírios e de rosas.

Um pagem pronto; a égua aparelhada;
Vais ser a luz das veigas deleitosas:
Montas no meio de uma revoada
De sons de agrestes frautas ramalhosas.

Um fio de água esfuma-se distante,
Cinde a montanha: o céu vidrado cheira,
Céu que a Boêmia poliu em rocha iriante.

Por ver-te, parte em grita a cachoeira,
E da floresta espiam-te o semblante
Titãs em grupo, faunos da carreira...