Pavorosa ilusão

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Pavorosa ilusão
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


— Há qualquer cousa que este campo iguale?
De logo abrange-o todo em quadro a vista;
O monte azul não deita o pé no vale;
E aqui à caça não se perde a pista.

Onde há de amor, que mais sentido fale,
Que neste verde escrínio embalde exista?
Raio de luz de um céu cor de ametista
Não tem sombra melhor, que o esconda e o embale.

Único és triste em toda a veiga: eu sinto... —
— Sim! triste, sim!... mas não por ti somente,
Por mim o sou também: no labirinto,

Em que tu vais e eu vou, — inconsciente
Tu mentes sempre, e inconsciente eu minto...
Ou é Deus... Deus então, que em tudo mente?!...