Por causa d’um colarinho

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Por causa d'um colarinho
por Geraldo Lapenda
primeira poesia (Seminário Arquidiocesano de São José, Rio de Janeiro - 7 de setembro de 1942)


- I -

Ninguém me viu sem colarinho ainda,
Entrar no estudo ao badalar o sino,
No dia em que era de satan destino
Atirar bombas à cidade linda.

- II -
Nem eu notei que, pois, sem ele estava,
Isso durante quase todo o estudo
Porque pensava só fazer em tudo
Não meu querer, mas de quem mandava.

- III -
E quem mandava era então nosso Deus,
Jesus, que foi pelo seu Pai nos dado,
Que pelos homens bons sempre é amado,
Que nos honrou fazendo filhos seus.

- IV -
Permaneci todo esse tempo amável
E que encaminha o coração a Deus
E que me fez merecedor dos céus,
Porque tornei-o jugo mais saudável.

- V -
Permaneci-o quase todo a ler
Minhas lições que preparar devia,
Então, pr’as aulas do seguinte dia,
Para aumentar com isso o meu saber.

- VI -
Mas percebendo, não por um suplente,
Que, contra as regras, eu sem ele andava,
Pr’a completar a veste que eu trajava
No colo o pus, (quase) imediatamente.

- VII -
Depois, eu, como que atingisse a meta,
Chamando a musa, pois, que habita o céu,
Só tendo em vista um colarinho meu,
De vagabundo me tornei poeta.