Primeira audácia

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Primeira audácia
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


De muitas vozes abafado grito;
Labor no campo ao longe: — na antessala
A mãe stá como estátua de granito;
E, como estátua, é gesto só, não fala.

Eu converso: — Este céu como é bonito!
Que branco aroma o cafezal exala!
Enquanto um galho ali colhido agito
Contra vespa, que vai, vem, a azoiná-la.

A filha olha o ondulado espaço imenso
Brandindo o leque, quando o inseto vinha:
Cismo então: mas que cismo, e sinto, e penso?

Se um instante a pudesse ter sozinho!...
E nisto o vento ao chão lhe pondo o lenço,
Beijei-lhe, erguendo-o, a mão que nele tinha...