Prodigio!

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Prodigio!
por Cruz e Sousa
Texto agrupado posteriormente e publicado em Ultimos Sonetos (1905).
Texto com ortografia atualizada disponível em Prodígio!.



Como o Rei Lear não sentes a tormenta
Que te desaba na fatal cabeça!
(Que o céo d'estrellas todo resplandesça)
A tua alma, na Dor, mais nobre augmenta.

       5A Desventura mais sanguinolenta
Sobre os teus hombros impiedosa dêsça,
Seja a treva mais funda e mais espessa…
Todo o teu ser em musicas rebenta.


Em musicas e em flores infinitas
       10De aromas e de fórmas exquisitas
E de um mysterio singular, nevoento...

Ah! só da Dor o alto pharol supremo
Conségue illuminar, de extremo a extremo,
O estranho mar genial do Sentimento!