Que doce vida, que gentil ventura

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Que doce vida, que gentil ventura
por Manuel Botelho de Oliveira


À vida solitária

Que doce vida, que gentil ventura,
Que bem suave, que descanso eterno,
Da paz armado, livre do governo,
Se logra alegre, firme se assegura!

Mal não molesta, foge a desventura,
Na Primavera alegre, ou duro Inverno,
Muito perto do Céu, longe do Inferno,
O tempo passa, o passatempo atura.

A riqueza não quer, de honra não trata,
Quieta a vida, firme o pensamento,
Sem temer da fortuna a fúria ingrata:

Porém atento ao rio, ao bosque atento,
Tem por riqueza igual do rio a prata,
Por aura honrosa tem do bosque o vento.