Quem viu mal como o meu sem meio ativo!

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Vagava o poeta por aquelles retiros filosofando em sua desdita sem poder desapegar as harpias de seu justo sentimento.
por Gregório de Matos
Poema agrupado posteriormente e publicado em Crônica do Viver Baiano SeiscentistaA Cidade e seus PícarosÂngela

Quem viu mal como o meu sem meio ativo!
Pois no que me sustenta, e me maltrata,
É fero, quando a morte me dilata,
Quando a vida me tira, é compassivo.

Oh do meu padecer alto motivo!
Mas oh do meu martírio pena ingrata!
Uma vez inconstante, pois me mata,
Muitas vezes ctuel, pois me tem vivo.

Já não há de remédio confiancas;
Que a morte a destruir não tem alentos,
Quando a vida empenar não tem mudanças.

E quer meu mal dobrando os meus tormentos,
Que esteja morto para as esperanças,
E que ande vivo para os sentimentos.