Renasce Fênix quase amortecida

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Ratifica sua fidalga resolução tirando dentre salamandra e barboleta o mais seguro documento para bem amar.
por Gregório de Matos
Poema agrupado posteriormente e publicado em Crônica do Viver Baiano SeiscentistaA Cidade e seus PícarosÂngela

Renasce Fênix quase amortecida.
Barboleta no incêndio desmaiada:
Porém se amando vives abrasada,
Ai como temo morras entendida!

Se te parece estar restituída,
No que te julgo já ressuscitada,
Quanto emprendes de vida renovada,
Te receio na morte envelhecida.

Mas se em fogo de amor ardendo nasces,
Barboleta, o contrário mal discorres,
Que para eterna pena redivives.

Reconcentra esse ardor, com que renasces,
Que se qual Barboleta em fogo morres,
É melhor, Salamandra, o de que vives.