Rola

Wikisource, a biblioteca livre

Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Rola
por Gonçalves Dias
Poema publicado em Novos Cantos.

Desque amor mo deo que eu lêsse
Nos teos olhos minha sina,
Ando, como a peregrina
Rola, que o esposo perdeo!
Seja noite ou seja dia,
Eu te procuro constante:
Vem, oh! vem, ó meo amante,
Tua sou e tu és meo!

Vem, oh vem; que por ti clamo;
Vem contentar meos desejos,
Vem fartar-me com teos beijos,
Vem saciar-me de amor!
Amo-te, quero-te, adoro-te,
Abraso-me quando em ti penso,
E em fogo voraz, intenso,
Anceio louca de amor!

Vem, que te chamo e te aguardo,
Vem apertar-me em teos braços,
Estreitar-me em doces laços,
Vem pousar no peito meo!
Que, se amor me deo que eu lêsse
Nos teos olhos minha sina,
Ando, como a peregrina
Rola, que o esposo perdeo.