Só! (grafia original)

Wikisource, a biblioteca livre
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Só!
por Cruz e Sousa
Poema agrupado posteriormente e publicado em Ultimos Sonetos (1905).
Texto com ortografia atualizada disponível em Só! (grafia atualizada).



Muito embóra as estrelIas do Infinito
Lá de cima me acenem carinhosas
E dêsça das esphéras luminosas
A doce graça de um clarão bemdito;

       5Embóra o mar, como um revél proscripto,
Chame por mim nas vagas ondulosas
E o vento venha em coi eras medrosas
O meu destino proclamar n'um grito;


Neste mundo tão tragico, tamanho,
       10Como eu me sinto fundamente estranho
E o amor e tudo para mim avaro!...

Ah! como eu sinto compungidamente,
Por entre tanto horror indifferente,
Um frio sepulchral de desamparo!