Só (Luís Delfino)

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por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Dizes talvez de mim: — Quem me procura?
Que quer? num tom impaciente e rudo;
Eu busco em ti a flor da formosura;
E em como havê-la, humildemente estudo.

Vou arrastando o meu amor insano
Por maus caminhos, por urzais, e abrolhos,
Por tudo que faz dor, ou perda, ou dano.

Então meu verso espuma sobre escolhos:
Meu verso imenso como o imenso oceano,
Só refletiu o negro dos teus olhos;

Dos mundos estrelados de ventura,
Que deles vêm, iluminando tudo,
Tu só me deste a grande noite escura,
E o abismo enorme, ilimitado e mudo...