Sai o Sol dos crepúsculos do Oriente

Wikisource, a biblioteca livre
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Sai o Sol dos crepúsculos do Oriente
por Manuel Botelho de Oliveira


À morte da senhora Rainha Dona Maria
Sofia Isabel, aliviada com a vida dos
senhores príncipes, e infantes

Sai o Sol dos crepúsculos do Oriente,
E começando em lúcidos ensaios,
Representa depois ardentes raios
No teatro do Pólo refulgente.

Chega depois ao Ocaso, e quando sente
(Bem que a seu resplandor floresçam Maios)
Na vida, que ostentou, mortais desmaios,
Os Astros ficam pelo Sol ausente.

Assim também alívios semelhantes
Deixa este Sol aos olhos nunca enxutos
Dos corações dos Lusos sempre amantes:

Porque nos deixa, sendo noite os lutos,
Nas Régias prendas Astros rutilantes,
Que sejam de seus raios substitutos.