Se eu fôra o grão Vate d'Argiva potente

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(Se eu fôra o grão Vate d'Argiva potente)
por José da Silva Maia Ferreira
Poema publicado em Espontaneidades da minha alma.


NO ALBUM DA EXM.a SR.a


D. C. A. C.


Se eu fôra o grão Vate d’Argiva potente
No antro de Delphos iria afinar
Sua lyra doirada e nella cantára
Teus magos encantos — teus dotes sem par.

Se divo poder nosso Deus me doára
O fulgôr dos teus olhos iria roubar,
Se eu fôra visão, em sonho eu quizera
Teus labios de roza innocente beijar.

De prado luzido se eu fôra uma flôr
Triste eu dissera — não quero murchar —
Iria poizar-me em teu seio de neve
Que assim não podia jámais acabar.

Se eu fôra da Persia Dario famoso
Meu throno a teus pés eu iria curvar,
Se dôce, suave, fagueira avesinha
Endeixas d’amor te quizera infiltrar.

Mas eu não sou Deus — nem visão — nem florinha
Nem Vate affamado na lyra a pulsar,
Sou louco mancebo que o meu ao teu fado,
Ó virgem mimosa, quizera ligar. —