Se eu morresse amanhã

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Se eu morresse amanhã
por Álvares de Azevedo
Poema agrupado posteriormente e publicado em Obras de Manoel Antonio Alvares de Azevedo (1862).

Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria,
       Se eu morresse amanhã!

Quanta gloria presinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã
Eu perdêra chorando essas coroas,
       Se eu morresse amanhã!

Que sol! que céo azul! que doce n'alva
Acorda a natureza mais louçã!

Não me batêra tanto amor no peito,
       Se eu morresse amanhã!

Mas essa dôr da vida que devora
A ancia de gloria, o dolorido afan...
A dôr no peito emmudecêra ao menos,
       Se eu morresse amanhã!