Senhor fremosa, convém-mi a rogar

Wikisource, a biblioteca livre
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Senhor fremosa, convém-mi a rogar
por Fernão Garcia de Sousa (Esgaravunha)


Senhor fremosa, convém-mi a rogar
por vosso mal, enquant'eu vivo for,
a Deus, ca faz-me tanto mal Amor,
que eu já sempr'assi lh'hei de rogar:
que El cofonda vós e vosso sem
e mim, senhor, porque vos quero bem,
e o Amor, que me vos faz amar.
  
E [por] vosso sem, que em mi errar
vos faz tam muito, serei rogador
a Deus assi: que confonda, senhor,
el muit'e vós e mim, em que errar
vos el faz tanto. E al mi ar convém
de lhe rogar: que ar cofonda quem
me nom leixa convosco mais morar.
  
E os meus olhos, a que vos mostrar
fui eu, por que viv'hoje na maior
coita do mundo, ca nom hei sabor
de nulha rem, u vo-lhes eu mostrar
nom poss'; e Deus cofonda mi por en,
e vós, senhor, e eles e quem tem
em coraçom de me vosco mezcrar.