Sexta-feira santa (grafia original)

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Sexta-feira santa
por Cruz e Sousa
Poema agrupado posteriormente e publicado em Ultimos Sonetos (1905).
Texto com ortografia atualizada disponível em Sexta-feira santa (grafia atualizada).



Lua absynthica, verde, feiticeira,
Pasmada como um vicio monstruoso...
Um cão estranho fussa na esterqueira,
Uivando para o espaço fabuloso.

       5É esta a negra e santa Sexta-feira!
Christo está morto, como um vil leproso,
Chagado e frio, na feroz cegueira
Da Morte, o sangue rôxo e tenebroso.


A serpente do mal e do peccado
       10Um sinistro veneno esverdeado
Vérte do Morto na mudez serena.

Mas da sagrada Redempção do Christo
Em vez do grande Amor, puro, imprevisto,
Brótam phosphorescencias de grangrena!