Silencios

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Silencios
por Cruz e Sousa
Poema agrupado posteriormente e publicado em Ultimos Sonetos (1905).
Texto com ortografia atualizada disponível em Silêncios.



Largos Silencios interpretativos,
Adoçados por funda nostalgia,
Ballada de consolo e sympathia
Que os sentimentos meus torna captivos;

       5Harmonia de doces lenitivos,
Sombra, segredo, lagrima, harmonia
Da alma serena, da alma fugidia
Nos seus vagos espasmos suggestivos;


Ó Silencios! ó candidos desmaios,
       10Vácuos fecundos de celestes raios
De sonhos, no mais limpido cortejo...

Eu vos sinto os mysterios insondaveis,
Como de estranhos anjos ineffaveis
O glorioso esplendor de um grande beijo!