Supremo verbo (grafia original)

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Supremo verbo
por Cruz e Sousa
Poema agrupado posteriormente e publicado em Ultimos Sonetos (1905).
Texto com ortografia atualizada disponível em Supremo verbo.



— Vae, Peregrino do caminho santo,
Faz da tu’ alma lampada do cégo,
Illuminando, pégo sobre pégo,
As invisiveis amplidões do Pranto.

       5Eil-o, do Amor o calix sacrosanto!
Bebe-o, feliz, nas tuas mãos o entrégo...
Eis o filho leal, que eu não renégo,
Que defendo nas dobras do meu manto.


— Assim ao Poeta a Natureza falla!
       10Em quanto elle estremece ao escutal-a,
Transfigurado de emoção, sorrindo...

Sorrindo a céus que vão se desvendando,
A mundos que se vão multiplicando,
A portas de ouro que se vão abrindo!