Telegrama de Euclides da Cunha de 22 de agosto de 1897 (II)

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(Telegrama de Euclides da Cunha de 22 de agosto de 1897)
por Euclides da Cunha


Bahia, 22 de agosto (22h10)

Eis os principais trechos da carta do coronel Teles:

Não declara que a expedição comandada pelo inditoso coronel Moreira César encontrasse somente duzentos jagunços em Canudos, pois está convencido de que existia ali naquela ocasião maior número de que os seiscentos que existiam quando chegou a quarta expedição

As declarações feitas foram: que Canudos tem apenas pouco mais de mil casas e não quatro mil como dizem, que calcula que ao chegar a quarta expedição, o número de jagunços era de seiscentos no máximo; que eles nunca possuíram balas explosivas; que se não fosse a morte do coronel Moreira César, Canudos seria tomado em 3 de março; que o mal causado à quarta expedição foi graças às armas e munições deixadas pela expedição Moreira César e anteriores; que calcula em duzentos, no máximo, o número de jagunços existentes em Canudos depois do assalto de 18 de julho; que não há fim restaurador nem influência de pessoas estranha nesse sentido; que não há lá estrangeiro algum.

Declara mais serem fantasias as afirmações de que as armas apanhadas em Sete Lagoas se destinavam aos jagunços, assim como a carta do jornal O País e outros fatos.

Não acredita que tenham aumentado os bandos de jagunços.

Explica as numerosas baixas por estar o inimigo encoberto por trincheiras naturais, contra os soldados que lutam a peito descoberto

Termina, textualmente: "Adulterar a verdade para encarecer Canudos, é alarmar o espírito público, e a isto não me presto

Não vivo de reclamos, digo sempre o que se me afigura ser a verdade".