Tudo é passado

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Tudo é passado
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Há em mim, há em ti um desgraçado,
O que vive e não vive: em vão forcejo
Por ver durar alguma cousa; vejo
Que em relâmpagos o mundo é arrastado.

Minuto em breve raio iluminado,
Um beijo dado; — o que ficou do beijo?
O beijo não: recordação, desejo
De dar outro, que morre apenas dado.

Uma boca de sombra engole tudo;
Rumor de pranto, endechas de alegria
Vêm, já deixando em torno o espaço mudo.

Como se esvai uma hora de agonia,
O fio de oiro, ai! rompe em soído agudo,
E acaba... acaba o mais formoso dia!...