Um grão de areia

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Um grão de areia
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


O grão de areia, que entre nós medeia,
É mais fundo que o mar, que se não mede:
Tenho a boca de frases de oiro cheia
E a boca vai falar... fala e não pede.

Quem ousa então cortar esta cadeia?
À força humana esta cadeia excede?
Que abismo encerra em si, cavado adrede,
Fundo... tão fundo assim, um grão de areia?

E quantos sonhos amorosos sonho,
Para arrasar este vazio! — Forme
O mundo ideais deste penar medonho...

Que leão, sem dormir, lá dentro dorme,
Que com mundos e sóis, que dentro ponho,
Não encho o pequenino abismo enorme?!...