Vênus morta

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Vênus morta
por Luís Delfino
Publicado em Rosas Negras.


Acabou. — De joelhos nos caminhos
Iam ficando as árvores, ao vê-la;
Ao vê-la, havia sons trepando os ninhos;
Buscavam nela os céus fugida estrela.

Não tinham para as suas mãos espinhos
As roseiras; o val sem conhecê-la,
Se aveludava em púrpuras e arminhos,
Dizendo aos vales: — Vamos recebê-la.

É minha mágoa; foi meu pesadelo.
Amo-a assim mesmo, mesmo assim! — que importa?
Quero esse corpo frio em mim retê-lo...

Que grande dor todo universo corta...
Dor outra igual não houve entristecê-lo...
Ela morreu!... Vênus de novo é morta!...