Vandalismo

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Vandalismo
por Augusto dos Anjos
Poema publicado em Eu
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Meu coração tem catedrais imensas,

Templos de priscas e longínquas datas,

Onde um nume de amor, em serenatas,

Canta a aleluia virginal das crenças.

Na ogiva fúlgida e nas colunatas

Vertem lustrais irradiações intensas

Cintilações de lâmpadas suspensas

E as ametistas e os florões e as pratas.

Com os velhos Templários medievais

Entrei um dia nessas catedrais

E nesses templos claros e risonhos.

E erguendo os gládios e brandindo as hastas,

No desespero dos iconoclastas

Quebrei a imagem dos meus próprios sonhos!

(Eu, 45)