Velho (grafia original)

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Velho
por Cruz e Sousa
Poema agrupado posteriormente e publicado em Ultimos Sonetos (1905).
Texto com ortografia atualizada disponível em Velho (grafia atualizada).



Estás morto, estás velho, estás cançado!
Como um sulco de lagrimas pungidas
Eil-as, as rugas, as indefinidas
Noites do ser vencido e fatigado.

       5Envolve-te o crepusculo gelado
Que vae soturno amortalhando as vidas
Ante o responso em musicas gemidas
No fundo coração dilacerado.


A cabeça pendida de fadiga,
       10Sentes a morte taciturna e amiga,
Que os teus nervosos circulos govérna.

Estás velho, estás morto! Ó dôr, delirio,
Alma despedaçada de martyrio,
Ó desespero da Desgraça eterna!