Vesperal (1893)

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Vesperal
por Cruz e Sousa
Poema publicado em Broqueis (1893).
Obra com ortografia atualizada disponível em Vesperal (ortografia atualizada).




Tardes de ouro para harpas dedilhadas
     Por sacras solemnidades
De cathedraes em pômpa, illuminadas
     Com rituaes magestades.

Tardes para quebrantos e surdinas
     E psalmos virgens e cantos
De vozes celestiaes, de vozes finas
     De surdinas e quebrantos...


Quando atravez de altas vidraçarias
     De estylos gothicos, graves,
O sol, no poente, abre tapeçarias,
     Resplandescendo nas naves...

Tardes augustas, biblicas, serenas,
     Com silencio de ascetérios
E arômas leves, castos, de assucênas
     Nos claros ares sidéreos...

Tardes de campos repousados; quiétos,
     Nos longes emocionantes...
De rebanhos saudosos, de secrétos
     Desejos vagos, errantes...

Ó Tardes de Beethoven, de sonatas,
     De um sentimento aéreo e velho...
Tardes da antiga limpidez das pratas,
     De Epistolas do Evangélho !...