Vinho negro (grafia original)

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Vinho negro
por Cruz e Sousa
Poema agrupado posteriormente e publicado em Ultimos Sonetos (1905).
Texto com ortografia atualizada disponível em Vinho negro.



O vinho negro do immortal peccado
Envenenou nossas humanas veias
Como fascinações de atras sereias
De um inferno sinistro e perfumado.

       5O sangue canta, o sol maravilhado
Do nosso corpo, em ondas fartas, cheias,
Como que quer rasgar essas cadeias
Em que a carne o retem acorrentado.


E o sangue chama o vinho negro e quente
       10Do peccado lethal, impenitente,
O vinho negro do peccado inquiéto.

E tudo nesse vinho mais se apura,
Ganha outra graça, forma e formosura,
Grave belleza d'esplendor secréto.