Vozes de um Túmulo

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Vozes de um Túmulo
por Augusto dos Anjos


Morri! E a Terra - a mãe comum - o brilho

Destes meus olhos apagou!... Assim

Tântalo, aos reais convivas, num festim,

Serviu as carnes do seu próprio filho!

Por que para este cemitério vim?!

Por quê?! Antes da vida o angusto trilho

Palmilhasse, do que este que palmilho

E que me assombra, porque não tem fim!

No ardor do sonho que o fronema exalta

Construí de orgulho ênea pirâmide alta...

Hoje, porém, que se desmoronou

A pirâmide real do meu orgulho,

Hoje que arenas sou matéria e entulho

Tenho consciência de que nada sou!

(Eu, 34)