O Pássaro Cativo
Wikisource, a biblioteca livre
| O Pássaro Cativo por |
| Poema publicado em Poesias Infantis |
Armas, num galho de árvore, o alçapão;
E, em breve, uma avezinha descuidada,
Batendo as asas cai na escravidão.
Dás-lhe então, por esplêndida morada,
- A gaiola dourada;
Dás-lhe alpiste, e água fresca, e ovos, e tudo:
Porque é que, tendo tudo, há de ficar
- O passarinho mudo,
Arrepiado e triste, sem cantar ?
É que, crença, os pássaros não falam.
Só gorjeando a sua dor exalam,
Sem que os homens os possam entender ;
- Se os pássaros falassem,
Talvez os teus ouvidos escutassem
Este cativo pássaro dizer:
- “Não quero o teu alpiste !
Gosto mais do alimento que procuro
Na mata livre em que a voar me viste;
Tenho água fresca num recanto escuro
- Da selva em que nasci;
Da mata entre os verdores,
- Tenho frutos e flores,
- Sem precisar de ti !
Não quero a tua esplêndida gaiola !
Pois nenhuma riqueza me consola
De haver perdido aquilo que perdi ...
Prefiro o ninho humilde, construído
De folhas secas, plácido, e escondido
Entre os galhos das árvores amigas ...
- Solta-me ao vento e ao sol !
Com que direito à escravidão me obrigas ?
Quero saudar as pompas do arrebol !
- Quero, ao cair da tarde,
Entoar minhas tristíssimas cantigas !
Por que me prendes ? Solta-me covarde !
Deus me deu por gaiola a imensidade:
Não me roubes a minha liberdade ...
- Quero voar ! voar ! ... “
Estas coisas o pássaro diria,
- Se pudesse falar.
E a tua alma, criança, tremeria,
- Vendo tanta aflição:
E a tua mão tremendo, lhe abriria
- A porta da prisão ...