Oh! Como se me alonga de ano em ano...
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- Oh! como se me alonga, de ano em ano,
- a peregrinação cansada minha!
- Como se encurta, e como ao fim caminha
- este meu breve e vão discurso humano!
- Vai se gastando a idade e cresce o dano;
- perde-se-me um remédio, que inda tinha;
- se por experiência se adivinha,
- qualquer grande esperança é grande engano.
- Corro após este bem que não se alcança;
- no meio do caminho me falece,
- mil vezes caio, e perco a confiança.
- Quando ele foge, eu tardo; e, na tardança,
- se os olhos ergo a ver se inda parece,
- da vista se me perde, e da esperança.