Soneto do Caralho Governante
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| Soneto localizado em um caderno onde poemas de Bocage e de Pedro José Constâncio estavam misturados, não tendo se chegado em nenhuma conclusão definitiva sobre a autoria do mesmo. |
Pela escadinha de um courão subindo
Parei na sala onde não entra o pejo;
Chinelo aqui e ali suado vejo,
E o fato de cordel pendente, rindo;
Quando em miséria tanta refletindo
Estava, me apareceu ninfa do Tejo,
Roendo um fatacaz de pão com queijo,
E para mim num ai vem rebolindo:
Dá-me um grito a razão: — "Eia, fujamos,
Minha porra infeliz, já deste inferno...
Mas tu respingas? Tenho dito, vamos..."
Eis a porra assim diz: — "Com ódio eterno
Eu, e os sócios colhões em ti mijamos;
Para baixo do umbigo eu só governo".