É este memorial de um afligido

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Ao mesmo dezembargador pede o poeta jocosamente hum escravo seo alfayate para lhe fazer hua obra.
por Gregório de Matos
Poema agrupado posteriormente e publicado em Crônica do Viver Baiano SeiscentistaOs Homens BonsJuízes de Igaraçu

É este memorial de um afligido,
Se vos der mais enfado, do que deve,
Entendei do papel em que o escrevo,
Que dos trapos se fez do meu vestido.

Estou, há vinte meses, retraído
Por crime, que a dizer me não atrevo,
Acutilei por ser já velho, e gevo
Um vestido, que tinha de comprido.

Com isto está meu Pai muito enfadado,
E sobre ver-me roto me descose,
Porque comigo está desesperado.

Eu como um descosido, eu como as doze,
E como estou sem voz des abrochado,
Vos peço o Alfaiate, que vos cose.