É questão mui antiga, e altercada

Wikisource, a biblioteca livre
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Ao mesmo dezembargador cazando-se com a filha do capitão Sebastião Barboza.
por Gregório de Matos
Poema agrupado posteriormente e publicado em Crônica do Viver Baiano SeiscentistaOs Homens BonsJuízes de Igaraçu

É questão mui antiga, e altercada
Entre os Letrados, e os Milicianos,
Sem se haver decidido em tantos anos,
Qual é mais nobre a pena, se a espada.

Discorrem em matéria tão travada
Altos entendimentos mais que humanos,
E julgam ter brasões mais soberanos
Uns, que Palas togada, outros, que armada.

Esta pois controvérsia tão renhida,
Tão disputada, quanto duvidosa
Cessou co desposório, que se ordena.

Uma pena a soltou mui entendida,
Uma espada a cortou mui valerosa,
Pois já se dão as mãos espada, e pena.