Ó Soberana Comida!

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Soliloquio de Me. Violante do Ceo ao Divinissimo Sacramento: glozado pelo poeta, para testemunho de sua devoção, e credito da veneravel religiosa. por Gregório de Matos
XIV
Poema agrupado posteriormente e publicado em Crônica do Viver Baiano SeiscentistaOs Homens BonsPessoas Muito Principais
Mote

Ó Soberana Comida!
Ó maravilha excelente!
pois em vós é acidente,

o que em mim eterna vida.


1À mesa do Sacramento
cheguei, e vendo a grandeza
admirei tanta beleza,
dei graças de tal portento:
com santo conhecimento
só então folguci ter vida,
pois vendo-a convosco unida
na flama de tanta calma
disse (recebendo-a n'alma)
Ó Soberana Comida!

2Naquela mesa admirando
anda a graça tanto a rodo,
que dando-se a todos, todo
vos estais comunicando:
e de tal modo exaltando
vosso ser onipotente,
que quando estais tão patente
nessa nevada pastilha,
vos louvam por maravilha,
Ó maravilha excelente!

3Como num excelso trono
realmente verdadeiro,
na Hóstia estais todo inteiro,
Senhor, por maior abono:
se por ser das almas dono
vos empenhais tão patente,
hei de apelidar contente
com a voz ao céu subida,
que esse Pão me seja vida,
Pois em vós é acidente.

4Neste excesso do poder
só podia o majestoso
obrar ali de amoroso,
o que chegou a emprender:
eu, que venho a merecer
lograr a Deus por comida,
tenho por cousa sabida
neste excesso do Senhor
serem delíquios do amor,
O que em mim eterna vida.