A Luneta Mágica/II/XXXIII

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A Luneta Mágica por Joaquim Manuel de Macedo
Primeira Parte - Visão do Mal, Capítulo XXXIII


Vi um grilo.

Em sua natureza maléfica o perverso diabrete sentindo-se incapaz de produzir maior dano, rogando uma contra a outra base de seus élitros produz o que lhe chamam canto, e que é um dos pequenos tormentos da humanidade.

Não julgueis que é insignificante o malefício perturba o sono, gasta a paciência, arranha os ouvidos, ofende os nervos e impede o sossego.

O grilo com o seu canto desagradável, teimoso, e importuno, é o tipo desses homens cruéis, estafadores da cortesia alheia, que muitas vezes tomam conta de uma pobre vítima que tem em que se ocupar, e horas inteiras a martirizam com interminável massada.

Felizmente para mim os grilos são mais freqüentes nas assembléias legislativas, do que no meu sótão.