A tacha maldita/IX

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A tacha maldita por Manuel de Oliveira Paiva
Nono


        Como um trapo esfrangalhado
        Pelos corvos disputado,
        De cavalo, ou de outro gado,
        Andava o podre Chiquinho;
        Os urubus da doença
        Lutavam sem mais detença
        Para nem lhe dar licença

        De chorar seu dinheirinho.
        Tinha rijas convulsões,
        Recordando as intenções,
        Transformadas em baldões
        De provocar adultério.

        Quando a João encontrava
        Todo lívido ficava:
        Parecia já se achava
        Sob o chão do cemitério.

        No festim do casamento,
        Cheio de contentamento,
        Parecia um cão nojento,
        Leproso e curvo das pernas.
        Pouco a pouco foi sentindo
        Esse abatimento infindo
        Que o nobrezismo já findo
        Das cousas sofre modernas.

        Mas seu olhar senhoril
        Bem mostrava do Brasil
        O negreirismo senil
        Diante da evolução.

        Naquela festa de moços
        Tão novos quanto colossos,
        Era como uns magros ossos
        Nu'a mesa de glutão.

        Em presença de Izabel
        Rugia como Lusbel
        Calcado por São Miguel.
        Diante do belo par
        Tão sublime e tão bonito,
        Tinha a força de um palito
        Rojado contra o granito,
        Que os seios rompe do ar.

        Agora, amigo Leitor,
        Se acaso me tens amor,
        Peço vejas por favor,
        Se de tempo não estás falto.
        Aquele pífio soneto
        Que acima neste livreto,
        De cinco silabas feito,
        Acabo rimando em — ALTO.