Ai, Lise, quanto me pesa

Wikisource, a biblioteca livre
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
A huma dor de dentes, de que sua esposa se queyxava todavia desdenhosa.
por Gregório de Matos
Poema agrupado posteriormente e publicado em Crônica do Viver Baiano SeiscentistaOs Homens BonsMaria

1Ai, Lise, quanto me pesa,
que da dor, que padeceis,
a ter não vos isenteis
mais piedade, que fereza:
se deste achaque a braveza
entre ambos reparte amor,
tenho por grande favor,
que nesta amante convença
eu sinta a dor da doença,
vós a doença da dor.

2Por razões mui aparentes
devo este mal estimar,
porque sei me há de livrar
de trazerdes-me entre dentes:
mas por causas mais urgentes
quero, que o remedieis,
e se quando o mal venceis,
a morder-me vos provoca,
perdôo o morder de boca
à boca, com que mordeis.