Alto sermão, egrégio, e soberano

Wikisource, a biblioteca livre
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Louva o poeta o sermão, que pregou certo mestre na festa, que a justiça faz, ao Spirito Santo no Convento do Carmo no ano 1686.
por Gregório de Matos
Poema agrupado posteriormente e publicado em Crônica do Viver Baiano SeiscentistaOs Homens BonsA Nossa Sé da Bahia

Alto sermão, egrégio, e soberano
Em forma tão civil, tão erudita,
Que sendo o pregador um carmelita,
Julguei eu, que pregava um Ulpiano.
  
Não desfez Alexandre o nó Gordiano,
Co'a espada o rompeu (traça esquisita)
Soltais na forma legal, e requisita
Soltais o nó do magistrado arcano.
  
Ó Príncipes, Pontífices, Monarcas,
Se o Mestre excede a Bártolos, e Abades
Vesti-lhe a toga, despojai-lhe alparcas.
  
Rompam-se logo as leis das Majestades,
Ouçam Ministros sempre os Patriarcas,
Pois mais podem, que leis, autoridades.