As Minas de Prata/I/IV

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As Minas de Prata por José de Alencar
Em que vem à lume um papel velho


A cerimônia religiosa terminou por volta de nove horas.

Em pouco tempo a multidão deixou a igreja quase solitária e foi apinhar-se à beira do terreiro, para ver a fragata que distava do porto cerca de um tiro de canhão.

Elvira e sua amiga dirigiram-se à pia de mármore branco colocada à porta, como de costume; a alguma distância seguiam D. Luísa de Paiva conversando com o pai de Inesita. Era este, D. Francisco de Aguilar, nobre castelhano, senhor do engenho de Paripe, homem principal, como se dizia naquele tempo.

Alto, robusto, ainda verde e bem conservado, D. Francisco era o verdadeiro tipo do hidalgo andaluz. Orgulhoso de seu sangue, de sua pátria e de seus cabedais, altivo no trato dos que julgava inferiores, seco nas maneiras, tinha contudo a verdadeira nobreza, que a educação e o hábito podem apurar, mas não é o privilégio dos brasões, pois a dá o coração; sabia ser grande e generoso quando os prejuízos de fidalguia não se opunham aos impulsos de sua alma.

Elvira e Inesita apressando o passo chegaram à pia, onde os dois amigos já as esperavam; mas D. Fernando aproximara-se no mesmo momento, e tomando água na palma ofereceu-a cortesmente às duas meninas.

Inesita hesitou; tímida como era, não teve ânimo de recusar; embebendo a pontinha dos dedos alvos e delicados, ia levá-los à fronte, quando viu o olhar de Estácio; a pobre menina estremeceu e sem saber o que fazia, deixou cair o braço desfalecido.

Quanto a Elvira, mais animosa, voltou-se para Cristóvão. O cavalheiro encorajando-se com esse movimento adiantou-se, e apresentou-lhe a mão onde brincavam algumas gotas d’água; depois de benzer-se, a menina umedeceu de novo os dedos e com um movimento rápido lançou de longe um borrifo na fronte do mancebo.

— Para que sejais esta tarde bem feliz, disse ela enrubescendo.

— Basta que desejeis para que o seja, respondeu o mancebo não se contendo de alegria e felicidade. Que o vosso olhar me acompanhe...

— O olhar, não, que é impossível; o pensamento, sim, respondeu Elvira com uma expressão melancólica.

— Por quê? Lá não estareis? perguntou o moço em sobressalto.

— Não; minha mãe...

A aproximação de D. Luísa e Aguilar cortou a conversa; as duas meninas saíram da igreja, Elvira satisfeita porque ao menos consolara Cristóvão de sua ausência; Inesita zangada consigo mesma porque não tivera coragem de recusar o oferecimento de Fernando, e com Estácio, porque depois do seu movimento em vez de apresentar-lhe a mão voltara-se triste e desaparecera; de modo que ela foi obrigada, para benzer-se, a molhar os dedos na pia.

Quanto a Ataíde, como todos os homens que têm plena confiança em sua riqueza, não percebera nem a indecisão da menina e o movimento que produziu o olhar de Estácio, nem o disfarce com que Inesita molhara de novo os dedos na pia. Radiante sob o gibão de veludo carmesim acompanhou o fidalgo castelhano.

No adro e por ocasião de despedir-se, Inesita voltou-se para D. Francisco:

— Meu pai, instai com D. Luísa para que leve esta tarde Elvira às festas do Terreiro do Colégio.

— Vosso pedido tem mais valia do que o meu, mas se o quereis...

— Impossível, Senhor D. Francisco. Fiz voto de não assistir a festas profanas; e quebrar um voto, disse-me o Padre Luís Figueira, é incorrer em excomunhão latae sententiae.

O castelhano, ouvindo o texto, voltou-se para trocar um sorriso com Fernando.

— Mas, acudiu Inesita, Elvira que não fez voto podia ir comigo!

— Não lhe está bem aparecer em lugares de folia sem sua mãe, menina. É prova de descomedimento, que não assenta em donzela recatada.

O tom severo destas palavras, mais de repreensão que de resposta, desconcertou Inesita, que não soube o que replicar; despediu-se de sua amiga, e entrou na cadeirinha lançando um olhar a furto em busca de Estácio.

Este depois que desaparecera, tomando pelo corredor lateral, encostara-se à portada de onde observara toda a cena anterior, e seguira com os olhos a cadeirinha, cujas cortinas ao longe lhe pareciam entreabertas por uma mãozinha mimosa.

Era o tempo que o palanquim de D. Luísa sumia-se também, e Cristóvão saía da igreja. Estácio foi-lhe ao encontro.

— Julgava-te longe, disse Cristóvão; vi-te sair pouco há.

— Mas não tive a força de ir-me, embora fosse o melhor, respondeu o moço com um sorriso triste.

— Que te aconteceu?

— Nada. Dize-me: tens desejo de primar esta tarde sobre todos, para merecer o olhar dela, não é verdade?

— Acertaste, menos em um ponto, Estácio; desejo vencer nos torneios e jogos porque ela lá não estará, e assim farei que não tenham outras, o que só merece a mais bela.

— E contas ganhar todos os preços? perguntou Estácio com intenção.

— Todos os que não quiseres para ti.

— Por que não os outros?

— Porque nem quero medir-me contigo, nem que o quisesse, o poderia com vantagem.

— Não digas tal!

— Não o diria a outro, ainda que sentisse a sua espada na gorja; digo-o a ti com a mão no coração.

— Pois ouve, acudiu Estácio; também a mim repugna-me roubar um prêmio que te pode pertencer; toma-os todos, mas cede-me uma só coisa.

— Qual, Estácio?

— Cede-me teu lugar na primeira corrida.

— Meu lugar!... Mas diriam que tive medo!

— Não receies tal; a confusão da partida impedirá ver; demais não lucras na troca. D. José de Aguilar é dos mais aguerridos campeões que entrarão em liça.

— Ah! compreendo; não te queres bater com o irmão de D. Inês!

— É um dos motivos; o outro saberás depois.

— Pois está dito; mas por isso não te deixes vencer por minha causa. Lembra-te que também te olham. Adeus; vou-me com pressa.

— Em pouco irei ter contigo.

Os dois moços apertaram-se as mãos; e separaram-se tomando direção oposta.

Terna e sincera amizade os ligava. O modo singular porque nascera essa afeição anunciou logo a têmpera daquelas duas almas, ainda não batidas na incude do mundo.

Costumavam os filhos das principais famílias, quando por tarde saíam a passeio acompanhados de seus aios, reunirem-se na Praça do Governador onde estava assentada uma bateria a pique da Ribeira. Aí entretinham-se em galhofas e folguedos próprios da infância.

Uma vez acertou Estácio de passar por ali tornando da casa de Vaz Caminha, onde tinha escola de pueris. Um gibão rapado, de mangas tão justas que o crucificavam, barrete que de machucado já tinha virado carapuça, e calções com remendos davam ao rapazinho um aspecto realmente grotesco. Os meninos o receberam com tremenda algazarra que o acompanhou até sumir-se do lado oposto.

Percebendo que a mofa era com ele, Estácio parou e voltou face aos rapazes, afrontando-os com o olhar e gesto. Desde então o discípulo e afilhado de Vaz Caminha teve para si, que fora cobardia escolher outro caminho. Todas as tardes ali passava, embora para isso fizesse uma volta. Os meninos o atropelavam como da primeira vez com vaias e apupos. Ele passava impávido e calmo, empertigando-se em sua pobreza e desafiando-os a todos.

Cristóvão que era da roda, soube afinal quem fosse o tal rapazito; e uma tarde quando ele passava, deixou muito zangado os companheiros e botou-se de carreira ao filho de Robério Dias.

Esperou-o a pé firme Estácio, julgando que o outro vinha brigar. Deitando ao chão um maço de cadernos, arregaçou as mangas.

— Não venho para brigarmos, senão para nos conhecermos, pois somos parentes! disse Cristóvão sorrindo e com um modo afável.

Passada a primeira surpresa de ver aquela fala e modo em um menino tão bem trajado e que parecia de família rica e principal, o escolar respondeu altivo:

— Não tenho parentes mais que uma tia!

— Pois não sois filho de Robério Dias?

— Que vos importa isso?...

— Eu sou filho de Garcia de Ávila!

— Não vos conheço!...

— Que val, se temos o mesmo sangue! Perguntai a vossa tia.

— É escusado!... Sei eu que não tenho parentesco com gente de vossa qualidade; sou pobre!...

Dizendo essa palavra com orgulhosa arrogância, o escolar foi seu caminho sem mais palavras. Nos dias seguintes, por espaço de duas semanas, todas as tardes Cristóvão fazia parar Estácio para convencê-lo do seu mútuo parentesco, e a todas as instâncias respondia este com uma orgulhosa esquivança. Não se enganava Cristóvão. Seu terceiro avô, Garcia de Ávila, também terceiro de nome, tivera uma filha natural, Isabel Garcia, casada em segundas núpcias com Diogo Dias, neto do Caramuru e segundo avô de Estácio; donde vinha entrelaçamento de afinidade entre as duas famílias.

Uma tarde, Cristóvão perdeu a paciência, e disse para Estácio:

— Ou me reconheceis por vosso parente ou brigo convosco.

— Briguemos; é melhor.

Atracaram-se ali mesmo; mas o aio de Cristóvão correu a separá-los, e o fez maltratando Estácio. O menino afastou-se indignado.

— Eu te castigarei, maroto!

Cristóvão irado arrancou a vergasta que o aio trazia e com ela o fustigou.

No dia seguinte muito cedo esperava por Estácio à porta de Vaz Caminha para lhe comunicar que o criado fora expulso de seu serviço e de sua casa. Desde essa manhã ficaram camaradas; os anos vieram fazê-los amigos e afinal irmãos.

Tornemos à Sé.

Estácio seguiu para as bandas de Santo Antônio. A alguns passos encontrou Vaz Caminha, que atravessava gravemente o largo com a cabeça baixa, e entregue a funda meditação.

Logo que terminara a missa, o licenciado recebera do mestre de capela a competente moeda de prata; mergulhando-a na comprida bolsa presa ao ilhós do calção, esgueirou-se pela escadinha do coro, e foi acompanhando a chusma de curiosos ver o navio que entrava na barra.

Depois de alguns minutos de observação, conhecendo que em menos de uma hora não se poderia haver notícias do reino, resolveu ir confortar o estômago, e nesta intenção louvável dirigia-se ao modesto tugúrio, quando foi encontrado por Estácio.

— Bom-dia, mestre, disse o moço quando o velhinho passava. Tão embebido ides em vossas reflexões, que não vedes os amigos?

O licenciado ergueu a cabeça de chofre, e os olhos pequeninos pestanejaram com vivacidade jovial.

— Bem aparecido, pequeno! Há bons quatro dias que não vos ponho olhos. Bem diz o ditado: “que para os moços são as festas e para os velhos as crestas”.

— Me levais a mal, que tome parte nos brincos e jogos de cavaleiros?

— Ao contrário, filho. Lograi a vossa mocidade, que perto vem o tempo dos cuidados; e bem aziago é quando não se tem nos maus dias uma boa lembrança para consolar o espírito.

— Acho-vos hoje mais triste que de costume, mestre; alguma coisa vos amofina?

— É próprio da velhice; quando a idade é muita e a saúde pouca, sobram os enfados e mínguam as esperanças. Mas não semeemos flores em cinzas, que não brotam; dizei-me antes, se estais contente e satisfeito, se contais que ninguém vos dispute hoje na galhardia e boas manhas?

— Farei o que em mim estiver; e ajudando Deus, espero dar-vos algum prazer.

— E as roupas estão ao vosso agrado? Ajustam-vos bem? São de fino estofo? perguntou o velho com terna solicitude.

— Ricas não podem ser, bem o sabeis; mas também não desmerecem em um cavalheiro: talhou-as o melhor algibebe da cidade, mestre Cosme.

— Ainda bem; dais-me com isso mais gosto do que pensais; porém – acrescentou o licenciado fitando o olhar no semblante do moço – alguma coisa ainda vos resta que me dizer?

— O que, mestre?

— Aquelas galas devem ter sido bem apreçadas, e do pouco que possuo sempre há para vos não deixar à mercê de fanqueiros e algibebes.

Estácio apertou com efusão a mão seca e mirrada do velho, cuja oferta tão delicada como generosa lhe tocara o coração.

— Obrigado, mestre; lembrastes que de feito me faltava referir-vos alguma coisa, que esta manhã tinha em mente, e passou-me na missa; mas não é o que pensais. Graças à minha mãe que me deixou um saquitel com algumas dobras, poucas é verdade, pude enroupar-me; sem isso não o faria; pobre como sou, gasto do meu, não uso do alheio. São vossas lições.

— Que bem aproveitaram; mas não é alheio, filho, o que pertence àqueles que nos amam; porque esse está como depósito em outras mãos, e para ser nosso basta querermos.

— Outra vez obrigado, mestre; felizmente não careço despir-vos do vosso necessário para satisfazer fantasias de rapaz.

— Assim não haveis precisão de nada?

— De vossos conselhos, muita; e tanto que, se me dais licença, vou recorrer a eles.

— É verdade; o caso que tínheis em mente?

— Dele mesmo é que vos quero falar.

— Estamos à soleira, melhor é entrarmos.

— Como vos parecer.

Conversando, Estácio e Vaz Caminha tinham tomado por detrás da Sé; seguindo por uma rua estreita e solitária, quebraram em um beco apenas guarnecido por algumas habitações, que se destacavam a espaços entre as linhas de cercas cobertas de melão-de-são-caetano.

O beco descia em ladeira, e formava no centro uma espécie de vala por onde corriam as águas da chuva; junto das cercas serpejavam dois trilhos que serviam de caminho, e iam dar à entrada das casas, para as quais subia-se por alguns degraus feitos de tijolo. Um monturo, que servia de despejo às casinhas da vizinhança, ardia lentamente fazendo grande fumaceira.

A casa do licenciado era a segunda; pouca diferença tinha das outras. Baixa, com duas gelosias e uma porta, paredes caiadas de branco e beiradas saídas, o edifício dava perfeita ideia da arquitetura do tempo. Ao lado esquerdo via-se o quintal coberto de mamona e beldros, com touças de bananeiras; encostados ao oitão, o galinheiro, e uma espécie de horto onde cresciam alguns pés de arruda, hortelã, manjericão e perpétuas.

Uma velhinha com saia de ganga amarela e manta escura de rebuço, que lhe cobria a cabeça como um capuz de freira, de volta da missa entrara no poleiro, e fizera uma revolução; as frangas cacarejavam, os galos batiam as asas, os pintos pipilavam, quando felizmente para o povo galináceo o licenciado chegou a casa.

Apesar de serem nove horas do dia, a porta exterior estava fechada, como se usava então, que não se tinha inventado a polícia, e cada um era obrigado a velar na segurança própria; Vaz Caminha chegou ao canto da casa, e erguendo-se nas pontas dos pés para ver por sobre a cerca do quintal, chamou a caseira.

— Euquéria! Abride, filha!

A velhinha correu tanto quanto o permitiam suas pernas curtas e trôpegas; decorrido um momento, o licenciado entrava em seu cartório acompanhado de Estácio.

Duas altas estantes de livros, um telônio cheio de autos e papéis, um bufete e alguns tamboretes rasos, eram os móveis que ornavam o gabinete, onde a luz filtrava amortecida pelos vidros das janelas, cobertas da mesma poeira clássica que jazia sobre os grandes alfarrábios, e das veneráveis teias de aranha suspensas ao teto.

— Vossa colação aí está sobre o bufete, senhor licenciado. Se não precisais de mim vou-me aos pintainhos, que estão morrendo do mal triste.

— Ide, filha; eu cá me aviarei.

— Jesus! exclamou a caseira voltando a correr com as mãos na cabeça.

— Hein!... já pela manhã vos começam a aparecer as almas do outro mundo? disse Vaz Caminha para a velha.

— Que Deus, Nosso Senhor, nos livre e guarde! Ai! só de falar já estou tremendo, minha Virgem Santíssima! Mas vai, senhor licenciado, que por um triz não me escorrega ainda hoje de vos dizer!... E três dias há que o trago mesmo aqui na ponta da língua! Quando digo que estou já com esta cabeça varrida, não querem acreditar! Pois é assim!

— No fim das contas, o que há, Euquéria? Dizei-o de uma feita.

— É o vosso vinho, que está por um dedal. Daqueles dois odres que se encheram pela Assunção, um encarquilhou que nem, com o devido respeito, o roquete do senhor deão; o outro que aí tendes, bem escorropichado, muito dará, se der, um meio pichel.

— Bem, filha; havemos de prover ao necessário. Ide com Deus.

Vaz Caminha tirou o barrete e arrastou dois mochos para junto do bufete, onde havia sobre o mantém de algodão grosso, porém de alvura deslumbrante, uma escudela com três ovos escalfados, uma cestinha com bananas passadas, uma regueifa de pão e um pichel de estanho polido como prata.

— Sentai-vos, pequeno, e refazei com o que há; não chega para regalo, mas basta para quebrar o jejum.

— Não tenho fome, mestre; almoçai vós, eu esperarei.

— Por quê?... Os ouvidos nada têm com o estômago; se quereis, falai, que vos presto atenção, e se não, fazei como vos aprouver.

Durante isto, o licenciado sentava-se ao bufete arregaçando as mangas, escorria no canjirão o resto de vinho do odre pendurado por detrás de uma das estantes, e começava seu parco almoço. Estácio de pé encostado ao telônio deixava que ele satisfizesse o apetite para começar.

— Então? disse Vaz Caminha erguendo os olhos.

— Não é coisa de grande monta, replicou Estácio. Ontem pedi à tia o cofre que me deixou minha mãe quando faleceu, para tirar algumas dobras guardadas numa bolsa, e deparou-me o acaso com um papel do qual nunca tive notícia. Talvez me possais explicar o sentido.

— De qual papel falais?

— De uma carta escrita a minha mãe, há cerca de quatro anos. Por sinal que ainda se achava selada, disse o moço tirando do seio do gibão um papel dobrado e já amarelento.

— Lede essa carta.

Estácio desdobrou o papel e leu:

A D. Clara Dias Correia

Senhora

Para em minhas mãos um papel de mor valia que pertenceu a vosso falecido marido Robério Dias; como seja demais precioso para sujeitá-lo a perda na remessa, mandareis havê-lo por pessoa de confiança.

Em São Sebastião, aos 28 de setembro de 1604.

D. Diogo de Mariz.


Vaz Caminha perturbou-se de tal maneira ao ouvir as primeiras palavras, que levou a naca de pão ao nariz, e ficou de boca aberta sem poder proferir uma palavra.