Ata da fundação de Cuiabá

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Data da fundação de Cuiabá
por Manoel dos Santos Coimbra
Texto copiado do original por José Barbosa de Sá e transcrito por Paulo Pitaluga Costa e Silva[1]. Várias incoerências do texto, citadas como notas de rodapé em seu decorrer, contestam a veracidade da ata e indicam que ela pode ter sido escrita e lavrada em data posterior à registrada.


Aos oito dias do mês de abril da era de mil setecentos e dezenove anos neste arraial do Cuiabá[2] fez junta o Capitão Mor Pascoal Moreira Cabral com os seus companheiros e ele requereu a eles este termo de certidão para noticia do descobrimento novo que achamos no ribeirão do Coxipó[3] invocação de Nossa Senhora da Penha de França[4]depois de foi o nosso enviado, o capitão Antonio Antunes com as amostras que levou do ouro ao Senhor General com a petição do dito Capitão Mor fez a primeira entrada adonde assistiu um dia e achou pinta de vintém e de dois e de quatro vinténs a meia pataca e a mesma pinta fez na segunda entrada em que assistiu sete dias ele e todos os seus companheiros as suas custas com grandes percas e riscos em serviço de Sua Real Magestade e como de feito tem perdido oito homens brancos fora negros e para que a todo tempo vá isto a notícia de Sua Real Magestade e seus governos para não perderem seus direitos e por assim ser verdade nós assinamos todos neste termo o qual eu passei bem e fielmente a fé do meu ofício como escrivão deste arraial.

Pascoal Moreira Cabral — Simão Rodrigues Moreira — Manoel dos Santos Coimbra — Manoel Garcia Velho — Baltazar Ribeiro Navarro — Manoel Pedroso Lousano — João de Anhaia Lemos — Francisco de Siqueira — Asenço Fernandes — Diogo Domingues — Manoel Ferreira — Antonio Ribeiro — Alberto Velho Moreira — João Moreira — Manoel Ferreira de Mendonça — Antonio Garcia Velho — Pedro de Godois — José Fernandes — Antonio Moreira — Inácio Pedroso — Manoel Rodrigues Moreira — José Paes da Silva.[5]

No mesmo dia e ano atrás nomeado elegeu o povo em voz alta o Capitão Mor Pascoal Moreira Cabral por seu guarda mor regente até ordem do senhor General para poder guardar todos os ribeiros de ouro, socavar e examinar e composições aos mineiros e botar bandeiras tanto a minas como nos inimigos bárbaros e visto elegerem ao dito lhe acatarão o respeito que poderá tirar auto contra aqueles que forem régulos com é amotinador e aleves que expulsará e perderá todos os seus direitos e mandará pagar dívidas e que nenhum se recolherá até que venha o nosso enviado Capitão Antonio Antunes de que todos levamos a bem hoje oito de abril de mil setecentos e dezenove anos eu Manoel dos Santos Coimbra escrivão do arraial que escrevi.

Pascoal Moreira Cabral.

Notas[editar]

  1. SILVA, Paulo Pitaluga Costa e. Ata de fundação de Cuiabá: uma análise crítica. Cuiabá: IHGMT, 1995.
  2. Op. cit., p. 35. O primeiro documento que se tem notícia a citar "Cuiabá" como arraial data de 12 de setembro de 1721.
  3. Op. cit., pp. 34-37. Trata-se do arraial de São Gonçalo, onde se sabe que, com base em documentos, estava Pascoal Moreira Cabral em 1719. O arraial do Senhor Bom Jesus de Cuiabá, que originou a cidade atual, fica às margens do córrego da Prainha.
  4. Op. cit., pp. 37-38. A capela dedicada a Nossa Senhora da Penha foi construída dois anos depois da data da ata e em outro arraial próximo, o da Forquilha, que não existia em 1719. .
  5. Op. cit., p. 40. Faltam assinaturas de pessoas letradas e importantes que se sabe que estavam no arraial de São Gonçalo, à data da ata. Não se sabe por que motivo não assinaram a ata.