Bangüê, que será de ti

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Desencantan o poeta agora a despedida deste governador em metaphora de chularias, que se uzavam naquelle tempo. Por dizer-se vinha rendêllo D. João de Alencastre seu cunhado.
por Gregório de Matos
Poema agrupado posteriormente e publicado em Crônica do Viver Baiano SeiscentistaOs Homens BonsHomens de Bem

1Bangüê, que será de ti
em vindo o Governador,
que manda El-Rei meu Senhor
para te botar daqui?
que será de ti, maldi-
to, que assaz a ti te toca
por neto de curiboca
e porque este teu pepino
no que é vaso feminino
jamais toca, nem emboca.

2Que será de ti, Bangüê,
quando o sucessor vier,
que hás de perder a mulher,
que é fêmea de cutilque?
e se teu criado é,
que o podes também levar,
não te há de sofrer o mar,
nem suas ondas sagradas,
antes por essas porradas
a porra te há de salgar.