Bem sei que minha tristura

Wikisource, a biblioteca livre
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Bem sei que minha tristura
por Anónimo
Vilancico renascentista português do Cancioneiro de Paris.


Bem sei que minha tristura,
Não pode ter algum fim,
Sem primeiro o dar a mim.

Quer amor que espere nele,
E que nisto passe o tempo,
E virá o prazer a tempo,
Que não possa gostar dele.
Vede que esperar aquele,
Ou se virá minha fim,
Antes que ele chegue a mim.

Já minha pena mortal,
Tão fora de mim me tem,
Que nem quero esperar bem,
Nem posso já temer mal.
Ora vede estando tal,
Que m'aproveitará a fim,
Pois amor mo deu a mim.