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Em Tradução:Billy Budd/VI

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Capítulo 6

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But on board the seventy-four in which Billy now swung his hammock, very little in the manner of the men and nothing obvious in the demeanour of the officers would have suggested to an ordinary observer that the Great Mutiny was a recent event. In their general bearing and conduct the commissioned officers of a warship naturally take their tone from the Commander, that is if he have that ascendancy of character that ought to be his.

Captain the Honorable Edward Fairfax Vere, to give his full title, was a bachelor of forty or thereabouts, a sailor of distinction even in a time prolific of renowned seamen. Though allied to the higher nobility, his advancement had not been altogether owing to influences connected with that circumstance. He had seen much service, been in various engagements, always acquitting himself as an officer mindful of the welfare of his men, but never tolerating an infraction of discipline; thoroughly versed in the science of his profession, and intrepid to the verge of temerity, though never injudiciously so. For his gallantry in the West Indian waters as Flag-Lieutenant under Rodney in that Admiral's crowning victory over De Grasse, he was made a Post-Captain.

Ashore in the garb of a civilian, scarce anyone would have taken him for a sailor, more especially that he never garnished unprofessional talk with nautical terms, and grave in his bearing, evinced little appreciation of mere humor. It was not out of keeping with these traits that on a passage when nothing demanded his paramount action, he was the most undemonstrative of men. Any landsman observing this gentleman, not conspicuous by his stature and wearing no pronounced insignia, emerging from his cabin to the open deck, and noting the silent deference of the officers retiring to leeward, might have taken him for the King's guest, a civilian aboard the King's-ship, some highly honorable discreet envoy on his way to an important post. But in fact this unobtrusiveness of demeanour may have proceeded from a certain unaffected modesty of manhood sometimes accompanying a resolute nature, a modesty evinced at all times not calling for pronounced action, and which shown in any rank of life suggests a virtue aristocratic in kind.

As with some others engaged in various departments of the world's more heroic activities, Captain Vere, though practical enough upon occasion, would at times betray a certain dreaminess of mood. Standing alone on the weather-side of the quarter-deck, one hand holding by the rigging, he would absently gaze off at the blank sea. At the presentation to him then of some minor matter interrupting the current of his thoughts he would show more or less irascibility; but instantly he would control it.

In the navy he was popularly known by the appellation- Starry Vere. How such a designation happened to fall upon one who, whatever his sterling qualities, was without any brilliant ones was in this wise: A favorite kinsman, Lord Denton, a free-hearted fellow, had been the first to meet and congratulate him upon his return to England from his West Indian cruise; and but the day previous turning over a copy of Andrew Marvell's poems, had lighted, not for the first time however, upon the lines entitled Appleton House, the name of one of the seats of their common ancestor, a hero in the German wars of the seventeenth century, in which poem occur the lines,

"This 'tis to have been from the first
In a domestic heaven nursed,
Under the discipline severe
Of Fairfax and the starry Vere."

And so, upon embracing his cousin fresh from Rodney's great victory wherein he had played so gallant a part, brimming over with just family pride in the sailor of their house, he exuberantly exclaimed, "Give ye joy, Ed; give ye joy, my starry Vere!" This got currency, and the novel prefix serving in familiar parlance readily to distinguish the Indomitable's Captain from another Vere his senior, a distant relative, an officer of like rank in the navy, it remained permanently attached to the surname.

Mas a bordo do navio de setenta e quatro canhões em que Billy agora pendurava sua rede, muito pouco no comportamento dos homens — e nada de evidente no porte dos oficiais — teria sugerido, a um observador comum, que o Grande Motim fora um acontecimento recente. No modo geral de se portar e conduzir, os oficiais comissionados de um navio de guerra naturalmente tomam o tom de seu Comandante — isto é, se ele possuir aquela ascendência de caráter que deveria ser própria de sua posição.

O Capitão, o Honorável Edward Fairfax Vere, para lhe dar o título completo, era um solteiro de cerca de quarenta anos, um marinheiro de distinção mesmo numa época fértil em navegadores renomados. Embora aparentado à alta nobreza, sua ascensão não se devia inteiramente às influências ligadas a essa circunstância. Tinha vasta experiência em serviço, participara de vários combates, sempre se portando como um oficial atento ao bem-estar de seus homens, mas nunca tolerando uma infração à disciplina; plenamente versado na ciência de sua profissão e intrépido até o limite da temeridade — embora nunca de forma imprudente. Por sua bravura nas águas das Índias Ocidentais, servindo como Tenente de Bandeira sob o comando de Rodney na vitória culminante desse almirante sobre De Grasse, foi promovido a Capitão de Pleno Direito (Post-Captain).

Em terra, trajado como civil, dificilmente alguém o tomaria por marinheiro — sobretudo porque nunca salpicava sua conversa não profissional com termos náuticos — e, grave em seu porte, mostrava pouca apreciação pelo mero humor. Não destoava desses traços o fato de que, durante uma travessia em que nada exigia sua ação suprema, era o mais comedido dos homens. Qualquer leigo que observasse aquele cavalheiro — não notável pela estatura e sem insígnias chamativas — emergindo da cabine para o convés aberto, e percebesse a silenciosa deferência dos oficiais que se retiravam para sotavento, poderia tê-lo tomado por hóspede do Rei, um civil a bordo do navio de Sua Majestade, algum enviado discretíssimo e honorável a caminho de um posto importante. Mas, na verdade, essa discrição de comportamento talvez procedesse de uma certa modéstia genuína de caráter, por vezes encontrada em naturezas resolutas — uma modéstia manifesta em todas as ocasiões que não exigiam ação destacada, e que, em qualquer classe social, sugere uma virtude de tipo aristocrático.

Como acontece com alguns que se empenham em vários setores das atividades mais heroicas do mundo, o Capitão Vere, embora suficientemente prático quando necessário, às vezes traía certo ar sonhador. Sozinho, no lado de barlavento do tombadilho, uma das mãos segurando o cordame, ficava a olhar distraidamente o mar vazio. Quando então alguém lhe apresentava algum assunto menor, interrompendo o curso de seus pensamentos, ele mostrava mais ou menos irritabilidade — mas imediatamente a dominava.

Na Marinha, era popularmente conhecido pela alcunha de “Vere Estrelado” (Starry Vere). Como tal designação veio a recair sobre alguém que, quaisquer que fossem suas qualidades sólidas, não possuía nenhuma propriamente brilhante, explica-se assim: um primo muito estimado, Lord Denton — sujeito de coração aberto — fora o primeiro a encontrá-lo e felicitá-lo por seu retorno à Inglaterra após a campanha nas Índias Ocidentais; e, apenas no dia anterior, folheando um exemplar dos poemas de Andrew Marvell, detivera-se — não pela primeira vez, aliás — nos versos intitulados Appleton House, nome de uma das propriedades de seu ancestral comum, um herói das guerras alemãs do século XVII, em cujo poema ocorrem as linhas:

“Eis o que é ter sido, desde o início,
Criado num céu doméstico,
Sob a disciplina severa
De Fairfax e do estrelado Vere.”


Assim, ao abraçar o primo recém-chegado da grande vitória de Rodney — em que desempenhara papel tão valente — e transbordando de justo orgulho familiar pelo marinheiro de sua casa, exclamou entusiasticamente: “Parabéns, Ed; parabéns, meu Vere estrelado!” A expressão pegou, e o novo epíteto, servindo na linguagem familiar para distinguir prontamente o Capitão do Indomitable de outro Vere — seu parente distante e oficial de igual patente na Marinha — acabou por se fixar de modo permanente ao sobrenome.