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Em Tradução:Billy Budd/XVI

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Capítulo 16

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Yes, despite the Dansker's pithy insistence as to the Master-at-arms being at the bottom of these strange experiences of Billy on board the Indomitable, the young sailor was ready to ascribe them to almost anybody but the man who, to use Billy's own expression, "always had a pleasant word for him." This is to be wondered at. Yet not so much to be wondered at. In certain matters, some sailors even in mature life remain unsophisticated enough. But a young seafarer of the disposition of our athletic Foretopman, is much of a child-man. And yet a child's utter innocence is but its blank ignorance, and the innocence more or less wanes as intelligence waxes. But in Billy Budd intelligence, such as it was, had advanced, while yet his simplemindedness remained for the most part unaffected. Experience is a teacher indeed; yet did Billy's years make his experience small. Besides, he had none of that intuitive knowledge of the bad which in natures not good or incompletely so foreruns experience, and therefore may pertain, as in some instances it too clearly does pertain, even to youth.

And what could Billy know of man except of man as a mere sailor? And the old-fashioned sailor, the veritable man-before-the-mast, the sailor from boyhood up, he, tho' indeed of the same species as a landsman, is in some respects singularly distinct from him. The sailor is frankness, the landsman is finesse. Life is not a game with the sailor, demanding the long head; no intricate game of chess where few moves are made in straightforwardness, and ends are attained by indirection; an oblique, tedious, barren game hardly worth that poor candle burnt out in playing it.

Yes, as a class, sailors are in character a juvenile race. Even their deviations are marked by juvenility. And this more especially holding true with the sailors of Billy's time. Then, too, certain things which apply to all sailors, do more pointedly operate, here and there, upon the junior one. Every sailor, too, is accustomed to obey orders without debating them; his life afloat is externally ruled for him; he is not brought into that promiscuous commerce with mankind where unobstructed free agency on equal terms-- equal superficially, at least--soon teaches one that unless upon occasion he exercise a distrust keen in proportion to the fairness of the appearance, some foul turn may be served him. A ruled undemonstrative distrustfulness is so habitual, not with business-men so much, as with men who know their kind in less shallow relations than business, namely, certain men-of-the-world, that they come at last to employ it all but unconsciously; and some of them would very likely feel real surprise at being charged with it as one of their general characteristics.

Sim, apesar da insistência lacônica do Dinamarquês quanto ao Mestre-de-armas estar por trás dessas estranhas experiências de Billy a bordo do *Indomitable*, o jovem marinheiro estava pronto para atribuí-las a quase qualquer um, menos ao homem que, para usar a própria expressão de Billy, “sempre tinha uma palavra agradável para ele”. Isso é algo de se admirar. Mas nem tanto assim. Em certos assuntos, alguns marinheiros, mesmo na vida adulta, permanecem bastante ingênuos. E um jovem do mar, com o temperamento de nosso atlético marinheiro do topo de proa, é, em grande parte, um homem-criança. E, no entanto, a completa inocência de uma criança é apenas sua ignorância em branco; e essa inocência, mais ou menos, se desvanece à medida que a inteligência cresce. Mas em Billy Budd, a inteligência — tal como era — havia avançado, enquanto sua simplicidade de espírito permanecia, em grande parte, intocada. A experiência é, de fato, uma mestra; mas os anos de Billy tornavam sua experiência pequena. Além disso, ele não possuía aquele conhecimento intuitivo do mal que, em naturezas não boas ou apenas parcialmente boas, precede a experiência e, portanto, pode pertencer, como em alguns casos claramente pertence, até mesmo à juventude. E o que Billy poderia saber do homem, exceto do homem enquanto simples marinheiro? E o marinheiro à moda antiga, o verdadeiro homem-da-viga-de-proa, o marinheiro desde a meninice — esse, embora da mesma espécie que o homem de terra firme, é, em certos aspectos, singularmente distinto dele. O marinheiro é franqueza; o homem de terra é sutileza. A vida não é, para o marinheiro, um jogo que exija cálculo; não é um intrincado jogo de xadrez em que poucos lances se fazem com retidão e em que os fins se atingem por desvios — um jogo oblíquo, tedioso, estéril, mal valendo a pobre vela gasta em jogá-lo.

Sim, como classe, os marinheiros são, em caráter, uma raça juvenil. Até mesmo seus desvios trazem a marca da juventude. E isso é ainda mais verdadeiro no caso dos marinheiros do tempo de Billy. Além disso, certas coisas que se aplicam a todos os marinheiros atuam de modo mais incisivo, aqui e ali, sobre os mais jovens. Todo marinheiro, ademais, está acostumado a obedecer a ordens sem discuti-las; sua vida no mar é externamente regrada para ele; não é lançado naquele comércio promíscuo com a humanidade onde a livre agência, sem obstáculos e em condições de igualdade — igualdade ao menos superficial — logo ensina que, a menos que exerça, de tempos em tempos, uma desconfiança tão aguda quanto a aparência é benigna, algum golpe vil poderá ser-lhe dado. Uma desconfiança regrada e discreta é tão habitual — não tanto entre homens de negócios, mas entre aqueles que conhecem seus semelhantes em relações menos superficiais do que as de negócio, isto é, certos homens-do-mundo — que acabam, por fim, empregando-a quase inconscientemente; e alguns deles muito provavelmente se surpreenderiam de verdade se fossem acusados disso como de um traço geral de seu caráter.